Essa sessão é atualizada semanalmente.

ARTIGOS
Telespectador atual ou espectador virtual
(sobre a campanha publicitária do Pan-Americano)
por Raphael Mesquita (31/07/2006)

A lição de J.D.
(Elogio de Scrubs)
por Leonardo Levis (31/07/2006)

Atirem no Pianista, de François Truffaut
(Telecine Cult, dia 30, às 22:00)
por Raphael Mesquita (24/07/2006)

O cineasta da superação
(Elogio de Luís Felipe Scolari, o Felipão)
por Bolívar Torres (24/07/2006)

Fim e balanço de That 70s Show
por Bolívar Torres (17/07/2006)

Klinsmann, entre a frustração e o heroísmo
(sobre o técnico da seleção alemã na Copa 2006)
por Sérgio Alpendre (17/07/2006)


FILMES DA SEMANA
(17 DE JULHO A 10 DE SETEMBRO DE 2006)


Dia 17/7
Depois de um bom tempo amargando uma programação com estréias pouco relevantes em sua programação, finalmente o Eurochannel exibe um filme que o cinéfilo mais exigente gostaria de ver. E de um cineasta que, curiosamente, é pouco exibido no Brasil, e nada exibido em canais a cabo. Trata-se de Raymond Depardon, documentarista francês de longa carreira, autor dos elogiadíssimos dois volumes de Profils: Paysans, 1974: une partie de campagne (sobre a campanha presidencial de Giscard) e do belíssimo Dez Minutos de Silêncio para John Lennon. Às 22:00, o canal exibe Delitos em Flagrante (Délits Flagrants, 1994), filme que registra conversas de promotores e defensores públicos com 14 pessoas detidas em flagrante. Se 1974 aproxima-se do recente Entreatos de João Moreira Salles, Delitos em Flagrante suscita comparações com Justiça, de Maria Augusta Ramos, na temática e um pouco no processo de filmagem. Curioso que um cineasta tão referenciado por alguns de nossos documentários recentes seja tão pouco conhecido do público geral. Não deixa de ser curioso que o documentário hoje viva uma coqueluche de exposição midiática, exibição em salas de cinema, pesquisa acadêmica e lançamentos editoriais, e grande parte dos documentaristas mais importantes dos últimos 50 anos, como Jean Rouch, Frederick Wiseman, Johan van der Keuken e o próprio Depardon, sejam radicalmente desconhecidos e invisíveis no país. No mesmo horário, o Telecine Cult exibe um filme de John Farrow com John Wayne, Caminhos Ásperos (Hondo, 1953), que teve dois planos filmados por John Ford. Segundo Tag Gallagher, biógrafo de Ford e um dos maiores críticos vivos, esses planos parecem duas telas de Delacroix isoladas numa galeria de fotos de guia de tv. Já os historiadores e críticos Jean Tulard e Jean-Pierre Coursodon, autores de obras de referência, são muito mais generosos com o filme (Tulard chega a chamar Caminhos Ásperos de obra-prima). Mas talvez John Farrow seja mais famoso hoje como o pai de Mia Farrow...
Dia 18
Gostinho de comida requentada na sessão É Tudo Verdade desta terça-feira. Não de todo, é certo, mas 25% não faz nem um mês que foi exibido na mesma sessão. Trata-se de Brasil Verdade (1968), filme que compila quatro documentários de média-metragem, e que inaugura o ambicioso projeto da Caravana Farkas mencionado nesta mesma coluna semanas atrás. Viramundo, de Geraldo Sarno; Subterrâneos do Futebol, dirigido por Maurice Capovilla; Nossa Escola de Samba, de Manuel Horácio Gimenez; e Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares, passam às 22:35, acrescidos de uma entrevista com o homem que concebeu o projeto, Thomaz Farkas. Mais raros, no entanto, são dois curtas-metragens também documentais de Luiz Carlos Lacerda que passa à tarde no mesmo Canal Brasil, Conversa de Botequim (1972) e Dor Secreta (1980). Ainda que Lacerda não seja exatamente um cineasta cuja carreira merece ser acompanhada atentamente, os filmes tratam de duas figuras extremamente importantes e pouco lembradas da música brasileirao, respectivamente João da Baiana (que aqui aparece naquilo que se acredita ser seu único registro em filme) e Ernesto Nazareth. Os dois passam a partir das 14:30.
Dia 19
Mais uma quarta-feira deserta de atrações mais significativas. Entre as ofertas mais regulares na programação, no entanto, podemos tecer uma ligeira reflexão acerca de uma forma viciada de considerar a relevância de certos filmes e gêneros. O documentário, por exemplo, qualquer documentário (desde que ostente em cada plano a aparência de seriedade e investigação) já ganha uma aura de importância mesmo que a proposta ou o processo sejam nitidamente vagabundos, exploratórios ou claramente mal-elaborados (podemos observar isso tanto em Michael Moore, em Evaldo Mocarzel ou em filmes como Justiça e A Pessoa É para o Que Nasce). Em compensação, uma comédia que não ostente claramente que é sofisticada (mesmo que precise colocar livros de Dostoiévski na mão de seu protagonista, como o recente Match Point), vai passar pela maioria das "pessoas sérias" como algo indigno de nota. Pois bem: no começo de noite passam dois filmes bastante defendidos pela equipe de Contracampo, duas comédias nada chiques e elegantes, nada feita segundo os gostos de degustadores de madeleines, e ainda assim espertos, inteligentes, ácidos e dignos de nota no panorama do cinema recente. Primeiro temos As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, 1995), transposição do universo de Jane Austen para a juventude americana contemporânea. Amy Heckerling, autora do deslumbrante Picardias Estudantis, revela uma disposição muito apropriada para se aproximar do universo de valores de suas personagens e criar um rico imaginário de anseios e comportamentos sem criar os juízos de valor que estamos acostumados a ver nos filmes que trabalham nessa seara. O filme passa no Telecine Emotion às 20:10. Já Com a Bola Toda (Dodgeball: A True Underdog Story) é possivelmente o filme mais celebrado da frat pack – turma de comediantes da qual fazem parte Ben Stiller, Vice Vaughn e Will Ferrel, entre outros. Passa quase no mesmo horário, às 20:20, no Telecine Premium. E vamos acabar de uma vez por todas com o preconceito contra o riso.
Dia 20
Amantes de uma Noite (L'Affaire d'une nuit, 1960) é o filme de Henri Verneuil que a TV5 passa essa semana, quinta-feira às 20:25. Mas o destaque do dia vai mesmo para o Telecine Cult, que exibe em seqüência dois filmes românticos de dois importantes cineastas americanos que são geralmente mais identificados com a comédia. O primeiro, que passa às 19:55, é Tarde Demais para Esquecer (An Affair to Remember, 1957), antepenúltimo filme de Leo McCarey, estrelado por Cary Grant e Deborah Kerr, e o segundo, às 22:00, é Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffanny's, 1960), de Blake Edwards, com Audrey Hepburn em sua terceira semana seguida no canal. Ainda que sejam dois filmes bem batidos e fáceis de se encontrar em DVD ou mesmo reprisados na tv a cabo, é sempre uma agradável surpresa quando podemos ter filmes dessa estatura diante de nós.
Dia 21
Entre as estréias da rede Globosat dessa sexta-feira, temos um filme pouco visto e muito criticado de Elia Kazan, O Último Magnata (The Last Tycoon
, 1976), adaptação do livro de F. Scott Fitzgerald que o Telecine Cult passa às 19:45, mas o destaque vai mesmo para Falando de Sexo (Speaking of Sex, 2001), último filme de John McNaughton a ser produzido para as salas de cinema. É uma pena, pois McNaughton tem uma sensibilidade distintiva em meio ao panorama de cineastas metidos a autores e realizadores genéricos do cinema comercial americano. Falando de Sexo tem um notável descompromisso com o bom tom, e isso acaba se revelando decisivo em sua problematização dos papéis sexuais e das políticas do desejo na sociedade americana. Guerra dos sexos resolvida entre a alcova e os escritórios de advocacia, o filme tem uma pegada de screwball ácida que faz lembrar alguns belos momentos do cinema de Howard Hawks. Exatamente por esse coquetel de descompromisso e acidez, Falando de Sexo teve uma carreira comercial tão difícil, nem chegando, segundo os dados do IMDb, ser lançado nos EUA, nem cinema, nem em DVD. O filme passa às 22:00 no Telecine Emotion.
Dia 22
O terror banal de Vozes do Além (no Telecine Premium) ou a insuportável Sandra Bullock em Miss Simpatia 2 – Armada e Perigosa (na HBO)? Com um pouquinho de bom senso, a única saída é esperar a meia-noite e assistir à estréia de Sorte Cega (Przypadek, 1981-7), filme pouquíssimo conhecido de Krzysztof Kieslowski. Com um pendor pronunciadamente político, o filme foi proibido por seis anos pelo governo polonês, e só passou no Festival de Cannes de 1987. Curioso como Kieslowski, tornado superstar depois de se mudar da Polônia para a França, tem todo um lado da carreira ainda obscuro para um público mais amplo. Pois, ainda que filmes como A Cicatriz e projetos como o Decálogo tenham sido exibidos, toda a sua vasta produção em curta-metragem, assim como alguns longas decisivos (e muito melhores do que sua obra francesa) ainda permanecem totalmente invisíveis, como é o caso do excelente Amador. Tomara que Sorte Cega abra o caminho para vários outros.
Dia 23
Então, apesar de todas as aventuras e desventuras amorosas, Antoine Doinel se casa com Christine Darbon. Domicílio Conjugal (Domicile conjugal, 1970) narra essa fase da vida do personagem de Truffaut interpretado por Jean-Pierre Léaud, em que o agora jovem adulto Doinel está longe de sentir-se como um bem instalado pai de família: "Antoine Doinel, ainda ligado à juventude, não pode ser integrado a uma sociedade normal. Adulto, ele se tornou um personagem impossível", diria Truffaut. O produto dessa impossibilidade pode ser visto às 22:00 no Telecine Cult. Mais cedo no mesmo canal, às 13:50, passa Golpe Baixo (The Longest Yard, 1974), filme de Robert Aldrich premiado com o Globo de Ouro de melhor musical ou comédia. O filme ganhou um remake dirigido no ano passado por Peter Segal e estrelado por Adam Sandler (com um papel especial dado a Burt Reynolds, protagnosta do original de Aldrich). Muito curioso como Robert Aldrich, que fazia vibrar até parte da crítica mais conformada até o começo da década de 60, saiu do radar da maioria da crítica em geral, talvez exatamente porque os filmes dos seus quinze últimos anos de carreira não fossem exatamente de bom tom para os admiradores do cinema sério, culto. E já que essa coluna está encontrando várias recorrências temáticas, por que não fechar ligando Truffaut a Aldrich? Quando crítico, François Truffaut declarou que 1955, mesmo antes de terminar, já era o ano de Robert Aldrich. Não era para menos: nesse ano, estreavam Vera Cruz, O Último Bravo, A Grande Chantagem e, principalmente, A Morte num Beijo. E eis como tudo se comunica!

Dia 24
Tem filme raro passando no Canal Brasil. É O Pão Que o Diabo Amassou (1957), dirigido por Maria Basaglia, roteirista, assistente de direção e realizadora do cinema italiano que, com seu marido Marcelo Albani, teve uma passagem rápida pelo Brasil e dirigiu dois filmes (o outro é Macumba na Alta, de 1958), que rapidamente foram destinados ao status do anonimato. Aproveitando que os anos 50 vêm recebendo uma nova visão por parte de pesquisadores como Arthur Autran e nosso contracampista Luiz Alberto Rocha Melo, que tal tentar descobrir mais um longa-metragem deste período que é tão mal-conhecido e geralmente "explicado" através do rótulo de "independentes"? O filme passa às 22:35. Antes disso, aproveitando que Miami Vice será uma das apostas do verão hollywoodiano, a HBO exibe O Informante (The Insider, 1999), de Michael Mann. Filme elegante e muito bem trabalhado visualmente – como sempre em Mann –, O Informante acabou dando o tom para uma série de thrillers políticos de conspirações transnacionais, como Traffic e Syriana (e pode-se dizer que também é o mais bem-realizado entre eles), mas, como eles, não parece tão bem preparado estética e politicamente para vôos mais densos. A conferir às 21:00
Dia 25
Lado Selvagem (Wild Side, 2004), de Sébastien Lifshitz, entrou em cartaz ano passado em São Paulo e no Rio de Janeiro só passou na UFF e no CCBB, em pleno carnaval, numa mostrinha de inéditos no Rio. Repercussão ligeiramente positiva – apesar de ter tido crítica negativa aqui na revista –, o filme vem respaldado pela colaboração no roteiro de Stéphane Bouquet, um dos críticos mais importantes dos anos 90 dos Cahiers du Cinéma, e pela ponta que faz o cantor Antony, que se apresenta logo no início do filme. O filme estréia na programação do Telecine Cult às 22:00. Já na habitual seção É Tudo Verdade, no Canal Brasil, teremos mais filmes da Caravana Farkas, tida como o primeiro momento em que o documentário descobriu o Brasil (claro, a esse tipo de preocupação totalizante poderemos sempre perguntar "que Brasil?"). Dessa vez, Amir Labaki terá o realizador Sérgio Muniz como convidado, e passarão os filmes Casa de Farinha (dir. Geraldo Sarno, 1972), O Rastejador (dir. Muniz, 72), Erva Bruxa (Paulo Gil Soares, 72), Jaramataia (idem, 72) e Padre Cícero (Sarno, 72). Apesar de uma arrogância sociológico-desbravadora um tanto incômoda, a sessão tem filmes interessantes e raros, e é um destaque forte da programação.
Dia 26
Nova quarta-feira sem maiores destaques ou estréias, em que podemos recorrer a um filme que a Eurochannel passa já há mais de um ano, La più bella serata della mia vita (1973), de Ettore Scola (às 19:45), ou a mais um dos diretores que são expectativa para o verção hollywoodiano. Dessa vez é Manoj Night Shyamalan, que em breve lança Lady in the Water, e que na HBO Plus aparece com seu filme anterior, A Vila (The Village, 2004), às 00:25 de quarta para quinta. Informes das cabines de imprensa nos EUA indicam que o filme agradará em cheio àqueles que apostam em MNS como grande artista, mas que tanto a mídia quanto o público ficarão inteiramente decepcionados. Confiando no talento de Shyamalan, esperamos que seu filme consiga números de público que lhe permitam continuar filmando regularmente. Pois A Vila é desde já um dos mais belos filmes americanos da década.
Dia 27
Mais uma vez a inflação de destaques desvia da quarta para cair inteira na quinta-feira. Comecemos pela mais humilde, O Dia em Que o Brasil Esteve Aqui (2006), documentário de Caíto Ortiz e João Dornelas sobre o imperialismo mulato que o Brasil exerceu sobre o Haiti através do jogo da seleção brasileira de futebol realizado no país em 2004. O filme teve um rápido lançamento em circuito comercial ainda esse ano, e já é catapultado rapidamente para a tv a cabo, onde fará sem dúvida muito mais público (também, não é lá muito difícil bater um público pagante de 678 espectadores...). Pena, porque o documentário parece bastante interessante... Já o Telecine Cult estréia dois filmes meio batidos em sua programação, mas de interesse garantido. O primeiro é Chaga de Fogo (Detective Story, 1951), de William Wyler, com Kirk Douglas e Eleanor Parker, que passa às 20:05. Em seguida, continuando o morno ciclo dedicado a Audrey Hepburn, o canal exibe às 22:00 Quando Paris Alucina (Paris When It Sizzles, 964), comédia romântica de Richard Quine com William Holden e la Hepburn. Quine em seu terreno de predileção, com duas estrelas incrivelmente cativantes e Paris de fundo... como não alucinar? Mas a maior atração do dia é mesmo a dose dupla que o Eurochannel dedica a filmes de Roberto Rossellini, Europa 51 (idem, 1952) às 22:00 e Francisco, Arauto de Deus (Francesco, giullare di Dio, 1950). Naturalmente, são filmes que volta e meia aparecem na programação do canal, mas com uma diferença tão grande entre uma exibição e outra que dá até saudades. Filmes de uma sensibilidade cativante, relativamente pouco comentadas dentro da obra de Rossellini – eclipsadas pelo marco que é Roma, Cidade Aberta, ainda que este nem esteja entre os melhores filmes de RR –, estes dois momentos expressam um dos patamares mais altos em que o cinema pode chegar.
Dia 28
Duas apostas. A primeira é musical: passa às 22:00 na HBO Plus a atração Kanye West: Live from Abbey Road, filme sobre o conceituado rapper americano (fala-se "caniê") que sampleou Shirley Bassey e seus "Diamonds" para fazer um dos melhores hits do ano passado. Nada em especial justifica cinematograficamente esse programa, mas West é uma das figuras mais interessantes surgidas na música pop americana dos últimos anos, e merece todo o destaque que se puder dar. Na madrugada, TV5 passa Les Revenants (2004), primeiro longa-metragem de Robin Campillo, sujeito que é mais conhecido como montador (todos) e roteirista (Recursos Humanos, Rumo ao Sul) dos filmes de Laurent Cantet. O filme circulou pelos festivais internacionais mas não chegou ao Brasil, e teve uma repercussão misturada por onde passou. É um filme de zumbis, porque trata da volta à vida dos mortos, mas não em chave de terror: eles voltam mas só querem sua vida de volta. A conferir às 3:10 da madrugada de sexta para sábado.
Dia 29
Atrações no mínimo simpáticas ocupam o horário nobre da semana, com Sr. e Sra. Smith (Mr. and Mrs. Smith, 2005), de Doug Liman, passando no Telecine Premium às 22:00 e A Lenda do Tesouro Perdido (National Treasure, 2004), de Jon Turtletaub, passa na HBO às 21:00 para aqueles que entraram na coqueluche decifratória pós-Código Da Vinci. Mais interessante, claro, é A Conversação (The Conversation, 1974), obra intimista realizada por Francis Ford Coppola entre os dois suntuosos primeiros chefões. Os três são considerados momentos ápices não só da carreira de FFC, mas do cinema dos anos 70 (e, para muitos, do cinema, ponto final). Muito também se malhou esses filmes, mais por assumirem o papel que assumiram do que exatamente por sua estética (não que ela seja inquestionável). O filme passa às 22:00 e pede visão e revisão, mesmo porque Francis Ford Coppola é sempre um caso aberto: diretor problemático, carreira com grandes sucessos e vultosos fracassos, filmes apaixonantes e filmes medianos, uma sensibilidade não muito fácil de desencavar da diversidade temática e estilística dos filmes. Um caso aberto e estimulante. Mas o verdadeiro destaque do dia é Carmen (idem, 2005), filme de Jean-Pierre Limosin (Olhares de Tóquio, Novo, além de alguns Cinéma de notre temps, inclusive o de Kiarostami) que o Cinemax estréia em sua programação sem fazer qualquer frisson, sem nem colocar como estréia na programação. Curiosamente, nem no IMDb o filme consta, mas sua existência e autoria já está muito bem estabelecida em outros sites e bancos de dados. Em tempo: não é mais uma reapropriação do universo de Prosper Mérimée, a não ser muito de longe... com um macaco!
Dia 30
Raros são os atores a atingir a estatura que alcançou Gérard Depardieu. Sim, podemos falar que de um tempo para cá só as produções caríssimas e esteticamente nulas são capazes de tê-lo como ator em seus filmes, que ele passou uma boa década ou mais só fazendo porcaria, mas ele ainda é o ator de Pialat, Ferreri, Resnais, Duras e de bons Blier. O Eurochannel lhe dedica um especial dirigido por Jean-Claude Guidicelli, que passa às 22:00. Produção de 2000, filmado na época em que Dépardieu filmava Os Miseráveis e mais três filmes, Depardieu, vivre aux éclats promete mais do que um simples documentário sobre um ator renomado. Tomara. No mesmo horário, o Telecine Cult continua sua retrospectiva François Truffaut, mas dessa vez, ao invés de continuar a pentalogia dedicada a Antoine Doinel, ela resolveu passar o segundo longa-metragem de Truffaut, o nonchalante Atirem no Pianista, deliciosa molecagem que, bela notícia, volta a ganhar texto específico em nossa seção de televisão, e por isso é destaque absoluto da semana (ainda que os Rossellinis...). Que venham outros (textos e filmes)!

Dia 31
Mais um raro filme de Maria Basaglia passa no Canal Brasil, na verdade o único outro filme realizado por ela no Brasil, Macumba na Alta (1958), que também representa o final de sua carreira no cinema. Passa no Canal Brasil às 22:35, como na semana anterior. Pouco antes disso, dois belos filmes passam em diferentes canais do Telecine: no Cult, às 22:00, passa O Rio das Almas Perdidas (River of no Return, 1954), filme famoso por ser estrelado por Marilyn Monroe e Robert Mitchum, mas o que brilha mesmo é a maestria de Oto Preminger em seu primeiro trabalho compondo para a tela panorâmica do CinemaScope que lhe ajudaria a melhor organizar sua estética baseada num certo distanciamento elegante e não-intervencionista que restitui a ambigüidade moral dos personagens e das tramas em que eles estão situados; já no Emotion, passa O Apóstolo (The Apostle, 1997), terceiro longa-metragem do ator e diretor bissexto Robert Duvall, O Apóstolo pode ser considerado a primeira ficção propriamente dita de Duvall, uma vez que seu primeiro filme é um documentário e o segundo é uma espécie de docudrama. Um longa em 1975, outro em 1983, e em 1997 surge esse belíssimo filme de entrega, que se não é uma obra-prima ao menos chega muito perto, que é esse O Apóstolo, triunfo de uma certa opacidade – e carisma – de personagem, e um retrato bastante, repetiremos a palavra porque aqui é também disso que se trata, ambíguo de uma vida religiosa entre salvação e comércio que chega a lembrar outra obra-prima do gênero, Elmer Gantry de Richard Brooks.
Dia 01/8
A sessão É Tudo Verdade do Canal Brasil deixa a Caravana Farkas pra lá e agora exibe mais um conjunto de curtas-metragens, dessa vez três raros filmes – de uma série de pelo menos duas dúzias – que David Neves fez em parceria com Fernando Sabino sobre escritores brasileiros. Filmes que participam de um primeiro momoento da obra de David Neves, quase contemporâneos a seus dois primeiros longas, Memória de Helena e Lúcia McCartney – Garota de Programa. Foram selecionados Pedro Nava – Em Tempo de Nava (1974), Afonso Arinos de M. F. – O Escritor na Vida Pública (1974) e Rubem Braga – O Dia de Braga (1971). Complementa a sessão um filme feito pelo filho de Sabino, Bernardo Sabino, que selecionou trechos de vários filmes caseiros e fez com Encontro Marcado com Fernando Sabino (2005) um retrato do escritor em sua intimidade. Muito a ver com a fase posterior de David Neves, ironicamente. Passa no Canal Brasil às 22:35, como sempre.
Dia 02
Quarta-feira, dia de Sessão Cineclube no Odeon, dia de futebol na televisão, para que recomendar filmes? Não é a opinião desta tribuna, mas deve ser a opinião das programadoras, uma vez que parece impossível escolher algum destaque mais raro ou pelo menos algo que não seja a programação regular dos canais. Dessa vez, mais uma vez, é impossível, mas pelo menos o horário nobre tem bons filmes, mesmo que já mais batidos, a destacar. Um é Toda Nudez Será Castigada (1973), um dos melhores momentos da irregular carreira de cineasta de Arnaldo Jabor (sua de polemista não é tão irregular, infelizmente), e certamente sua melhor incursão no universo de Nelson Rodrigues. O filme passa às 21:00, sempre no Canal Brasil. Uma hora mais tarde, passa na AXN O Mariachi (El mariachi, 1992), primeiro longa-metragem de Robert Rodriguez, que catapultou o cineasta à fama mais pelo bafafá de ser um filme de orçamento reduzidíssimo do que propriamente pelo valor cinematográfico da obra. RR é um caso para estudo, alternando entre filmes de grande interesse e filmes de interesse reduzido, brincando com formas e gêneros considerados menores pela crítica mais convencional, mas dono de uma personalidade admirável ao fazer força para manter o perfil de cineasta do it yourself que lhe rendeu o convencimento de Frank Miller para fazer Sin City. Há mais do que mídia na maneira com a qual Robert Rodriguez faz seus filmes, e só falta um filme que se destaque mais para começar o estardalhaço. Mesmo que O Mariachi não seja o filme mais apropriado para perceber esse talento, é este o filme que passa às 22:00 no AXN...
Dia 03
Desova de Kieslowski? Mais um filme do controverso cineasta polonês, dessa vez A Cicatriz (Blizna, 1976), primeiro longa-metragem depois de uma década inteira devotada ao formato do curta, quase sempre documental. O filme tem lá seu interesse, mas não agrada totalmente nem aos fãs da época polonesa, nem aos devotos dos frufrus da fase francesa. Sua década de 70 já foi mais interessantes antes (os curtas) e depois (Amador, que muitos consideram seu melhor filme) de A Cicatriz. E quando vão trazer esses filmes para as pessoas verem? Em todo caso, o filme estréia na programação do Telecine Cult às 22:00 e em seguida passa Lição de Cinema – Kieslowski (1994), que o canal diz ser um documentário sobre a trilogia das cores da bandeira francesa.
Dia 04
OK, a quarta-feira é o dia sem maiores destaques, a quinta é um dia que sempre surpreende trazendo por vezes mais de uma estréia importante na programação, e a sexta-feira é o dia híbrido, podendo nos dar tanta alegria quanto tristeza. Dessa vez, quatro filmes interessantes, ainda que nenhum deles possa ser alçado á categoria de imperdível que deriva da equação entre disponibilidade, acessibilida de e excelência da obra. Pânico 2 (Scream 2, 1997) de Wes Craven é o filme menos interessante da série, mas ainda assim bastante interessante, e estréia na programação do Telecine Action às 22:00. Já no Telecine Cult, no mesmo horário, passa o admirável Alcatraz – Fuga Impossível (Escape from Alcatraz, 1979), antepenúltimo filme de Don Siegel, certamente o mais interessante do lote, mas também disponível em dvd em qualquer locadora ou baratinho em lojas de conveniência. Como apostas, aparecem dois filmes sobre os quais se pode esperar coisas interessantes. um é High School Musical (idem, 2006), filme feito para a Disney Channel e dirigido por Kenny Ortega, realizador com carreira toda montada em séries de televisão. O filme alcançou um boca-a-boca grande, e podemos conferir se ele vale a aposta às 20:00. Já o FX, canal masculino da Fox que se queria como grande inaugurador de um novo filão na segmentação dos canais a cabo e falhou em sua proposta, exibe A Lenda de Gingko (Danjeogbiyeonsu, 2000), raro caso de filme coreano de gênero (ou seja, não entrando na seara do cult em que estão Park Chan-Wook e Kim Ki-Duk)
a ser exibido na televisão brasileira. É que as programadoras ainda não descobriram a comédia romântica coreana, que é capaz de criar um culto e tanto... O filme é o primeiro do diretor Park Je-Hyeon, que depois fez mais dois filmes, nenhum de maior repercussão entre os cinéfilos...
Dia 05
Muita gente, como o titular dessa coluna, não suportou nem o trailer de Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, 2004), filme de Marc Forster sobre a vida do criador de Peter Pan que parece seboso e metido a cinema de bom gosto o suficiente – e o boca-a-boca entre amigos corajosos confirmou a impressão inicial –, mas quem perdeu no cinema poderá ter a chance de perder de novo, porque é a estréia da HBO às 21:00. Já a rede Telecine estréia no canal Cult o soporífero Pão e Rosas (Bread and Roses, 2000), filme de Ken Loach que, como sempre, se nutre de boas intenções no retrato de exploração e reivindicações de faxineiras latinas nos EUA, mas se perde numa narrativa que abusa da chantagem emocional e do esquematismo dos valores e da moral. Já o Premium exibe Cão de Briga (Danny the Dog, 2005), incursão do cinema francês na ação americana por intermédio de Luc Besson, produtor, e Louis Leterrier, diretor que outrora tinha aprendido a fazer filme de ação com um mestre do gênero, Corey Yuen. Como quase sempre nesses canais da Globosat, os filmes estréiam às 22:00. Mas o destaque mesmo é um pequeno filme, um curtinha obscuro dirigido pelo ator Paulo Villaça, grande figura do cinema marginal (O Bandido da Luz Vermelha, Perdidos e Malditos, A Mulher de Todos), sobre o processo criativo do ator. O Transformista (1979) conta com participação de Paulo Autran e passa no Canal Brasil às 02:30, madrugada de sábado para domingo.
Dia 06
Como a semana está marcada pelo estigma da repetição, ou até da redundância em relação às semanas anteriores (só faltou mais Audrey Hepburn na quinta-feira), temos nesse domingo mais um Truffaut, e um Truffaut maravilhoso: Uma Mulher para Dois (Jules et Jim, 1962), terceiro longa-metragem do diretor e, para muitos, sua obra-prima. produto da fascinação de Truffaut pela obra singular do escritor Henri-Pierre Roché – de quem depois iria também filmar Duas Inglesas e o Amor –, Jules e Jim captura Jeanne Moreau e seus dois pretendentes em momentos de autenticidade cativante e de um amor respeitoso porém impossível. Impossível não se comover com a canção que Jeanne Moreau canta no filme, nos fazendo entrar no "turbilhão da vida" de que ela canta. Se um clássico absoluto está marcado para as 22:00. às 20:15 teremos uma aposta: Hustle – A Decadência de Pete Rose (Hustle, 2004), mais recente filme de Peter Bogdanovich e, como seus últimos, produzido para a televisão. Nem os comentários a respeito de Hustle nem a visão de alguns de seus filmes recentes são muito entusiasmantes, mas não dá para descartar o homem que dirigiu A Última Sessão de Cinema, Lua de Papel e Muito Riso e Muita Alegria. O filme passa na HBO Plus.
Dia 07
À exceção da rede Telecine, os canais esta semana estão todos muito pouco inspirados em suas programações de filmes. Poucas ou nenhuma estréia, nada especialmente digno de nota, apenas a reprodução de uma lógica repetitiva que é alimentada pela ausência de canais destinados a públicos mais específicos. Com a transformação do Telecine Classic em Telecine Cult e o fim do contrato da RetrôTV com a DirecTV, além da visível queda de qualidade e de novidades nas programações de canais como o Eurochannel e o Film & Arts (e, numa medida menor, até os da rede Telecine), temos cada vez opções mais restritas de programação em se tratando de filmes na tv a cabo. À guisa de reflexão de meio-de-ano. Mas valos lá, essa segunda-feira nem está mal assim. Temos três estréias, todas no mesmo horário, todas nos Telecines. Nenhuma terrivelmente ousada ou difícil de encontrar, mas ainda assim filmes dignos de nota e atenção. No Premium, estréia Três Vidas e um Destino (Head in the Clouds, 2004), mais recente filme de John Duigan, diretor nascido na Inglaterra mas com uma carreira algo sólida construída na Austrália. Seu filme mais famoso é provavelmente Inocência Rebelde (Lawn Dogs, 1997), no qual consegue tirar uma surpreendente interpretação de Mischa Barton ainda pré-adolescente. Falta ao filme, no entanto, algo que supere o esquema "pequena psicologia, pequena profundidade" dos personagens e da relação de ponto-de-vista que o filme constrói com seus espectadores. Três Vidas e um Destino não tem Mischa, mas tem as belas Charlize Theron e Penélope Cruz. Já é alguma coisa. No TC Emotion, passa Desde Que Otar Partiu (Depuis qu'Otar est parti..., 2003), convencional mas bem realizado filme de Julie Bertucelli que circulou por festivais e circuitinho de arte no país nos últimos dois anos. Mas o grande destaque do dia passa mesmo no TC Cult: A Vingança do Pistoleiro (Ride in the Whirlwind, 1965), que está apontado como "estréia" muito embora tenha sido exibido ano passado no mesmo canal, quando ainda se chamava "classic". Meio feio da parte do canal ficar exagerando a versatilidade de sua programação, mas isso de forma alguma tira o mérito do grande filme que é Ride in the Whirlwind, do magistral Monte Hellman, com roteiro, produção e atuação de Jack Nicholson em sua melhor fase, quando filmava com Hellman e Rafelson e extraiu de Henry Miller o epíteto de "primeiro ator dostoievskiano".
Dia 08
Talvez Lila Diz (Lila dit ça, dir. Ziad Doueiri, 2004) tenha um interesse maior apenas para aqueles que se apaixonaram pela ninfeta Vahina Giocante em A Menina da Baía dos Anjos (Marie Baie des Anges, 1997). Não é o mais espúrio dos sentimentos, e parece que Lila Diz aproveita exatamente essa expectativa para criar uma personagem que é a pura expressão da voloúpia e de sexualidade. O filme passou no Festival do Rio último, sem muito estardalhaço, inclusive dos fãs da moçoila, mas numa semana morna, talvez a menina Giocante seja uma boa pedida para esquentar a temperatura. O filme estréia na programação do Telecine Cult às 22:00. Já a sessão É Tudo Verdade do Canal Brasil apresenta a única maior atração do canal essa semana, mas uma atração continuada. Às 22:35, veremos mais quatro dos filmes que David Neves fez em parceria com Fernando Sabino sobre escritores brasileiros na primeira metade dos anos 70. Veremos Carlos Drummond de Andrade – O Fazendeiro do Ar (1974), Manuel Bandeira – O Habitante de Pasárgada (1974), João Cabral de Melo Neto – O Curso do Poeta (1974) e Vinícius de Moraes – Música, Poesia e Amor (1974). O quarteto é considerado por muitos o que melhor se fez de poesia no país no século XX, o que só aumenta o interesse no programa. E semana que vem tem mais...
Dia 09
O que faz um autor? Primeiro, o talento distintivo, claro. Mas não é tão simples assim. É preciso, em seguida, que saiba perceber um estilo, delimitá-lo e destacá-lo do seio das outras produções mais regulares, convencionais ou genéricas. Muitos autores, sobretudo aqueles formados na escola do gênero (Jack Arnold, Jacques Tourneur, Budd Boetticher), inicialmente são vistos como figuras de comportamento exótico até que alguém resolva levar a coisa a sério e chamar a atenção para a singularidade do estilo do cineasta. Fala-se tudo isso por quê? Porque segundo Carlos Reichenbach, um dos maiores diretores brasileiros – e também crítico, dono de um apetite voraz para filmes obscuros –, Anthony Hickox é certamente um realizador digno de atenção, até um autor. Britânico, filho de Douglas Hickox e diretor de filmes que geralmente entrarm direto em vídeo, Hickox dificilmente será o autor mais importante a ter as iniciais AH, mas vale a pena conferir Blast! (2004), um de seus filmes mais recentes, e saber se a veemência de Carlão é idiossincrasia de crítico – é normal, acontece – ou se é pura lucidez de quem sabe olhar imagens. O filme estréia na programação do Telecine Premium às 22:00
Dia 10
E não é que finalmente vão exibir Amador (Amator, 1979)? Provavelmente o melhor filme de Krzysztof Kieslowski, Amador parte de uma situação banal, casual, para em seguida afrontar suas conseqüências psicológicas, morais e filosóficas. A empatia é dada pela inocência e pelo medo diante de uma realidade tornada absurda, sem sentido. No caso, a passagem de um registro mais cotidiano e familiar para a entrada no terreno burocrático e oficial do oficialato polonês. Mais tarde, o que parecia com Kafka acabou ficando mais próximo dos frufrus de Claude Lelouch, mas Amador é um filme de primeira linha, austero e preciso como os melhores filmes poloneses de Kieslowski. Como sempre, o filme será exibido às 22:00. Em seguida, à meia-noite, o filme passa Kieslowski, Cineasta Polonês, documentário de meia-hora realizado por Luc Lagier falando da trajetória de KK em seu país natal e no contexto do nascimento da Film Polski e da escola de Lodz. Esse filme foi originalmente lançado no DVD importado de A Dupla Vida de Véronique. Curioso: será que agora o que fará o TCC "cult" serão as exibições de extras ao fim do filme? Veneno, veneno...
Dia 11
Semana de vacas magras na rede HBO-Cinemax
. Uma pena, porque eles já nos deram estréias ousadas, raros filmes dos anos 40 e 50, além de filmes pouco conhecidos de proveniências as mais diversas possíveis (sobretudo, naturalmente, os dois canais Cinemax). Se não há nenhum destaque especial nessa semana, ao menos é o Cinemax Prime que salva essa noite de sexta-feira, exibindo um programa duplo curioso. às 21:30, passa Perseguidor Implacável (Dirty Harry, 1971), filme de Don Siegel que inicia o franchise do personagem vivido por Clint Eastwood (retomado depois em mais quatro ocasiões, uma delas dirigido pelo próprio Eastwood). Dirty Harry, o personagem, tem hoje a fama que a gente sabe, uma reputação de filme fascistóide e um elogio da justiça pelas próprias mãos. Tentando tirar tudo que já ouvimos e o que vimos dos outros filmes da cabeça e focando especificamente neste Perseguidor Implacável, o que vai se ver não é um filme em que o espectador ávido por sangue e pelo assassinato de "marginais" ganha tranqüilamente a sua recompensa voyeurística e fica feliz com o que vê. Há aí um ligeiro e sutil deslocamento moral que desencoraja uma explicação mais rasteira do filme. Esse quase sub-reptício questionamento moral sobre a responsabilidade, assim como a clareza e o rigor, foram as maiores heranças que Diegel deixou para Eastwood como diretor. Futuramente, Clint Eastwood faria do questionamento moral, quase sempre associado à idéia de responsabilidade "paterna" (não só pai, literalmente, mas representantes do estado de alto a baixo, patriarcas de cidades, além dos próprios justiceiros), a motivação profunda de seu cinema. Mas isso não dá para ver tanto em Rookie, um Profissional do Perigo (Rookie, 1990), que é provavelmente o pior filme da carreira de Eastwood como diretor, e a única vez que Clint dirigiu algo que não fosse no mínimo muito bom na década de 90. Até os grandes autores dão bola fora às vezes... O filme passa logo em seguida a Perseguidor Implacável, às 23:15.
Dia 12
Já armou o programa para sábado à noite? Se ainda náo, é melhor se preparar, porque não há nada muito interessante sendo lançado neste sábado. Dos highlights, o Telecine Premium estréia Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2005), filme de super-herói que passou em brancas nuvens, às 22:00, e a HBO exibe o tão celebrado quanto tedioso Herói (Ying xiong, 2002), tentativa de Zhang Yimou em reavivar a tradição do filme de artes marciais da tradição chinesa, com uma imponência da mise-en-scène que refletisse a nobreza da situação retratada. Mas o que se consegue pode ser caracterizado mera e simplesmente como mão pesada. Mão pesada de um diretor acadêmico demais para repetir as proezas de Sergio Leone ou King Hu (junto com Einsenstein, provavelmente as maiores influências) e sem nada mais pessoal que caracterize um estilo. Ou seja, estamos diante de todas as características daquilo que convencionalmente chamamos de um elefante branco, quando o vistoso e o afetado toma o lugar do visual e do sensível. Para piorar tudo, a HBO ainda faz o favor de exibir a cópia picotada pelas mãos de Harvey Weinstein, e não a original de Zhang Yimou. Em todo caso, o filme passa às 21:00 na HBO. No Telecine Cult, não temos melhores prognósticos. Passa um filme de Jane Campion, diretora que não pode ser menosprezada, mas Fogo Sagrado (Holy Smoke, 1999) certamente não é o filme que vai fazer dela uma presença obrigatória no panteão cinematográfico contemporâneo. Melhor mesmo é assistir pela enésima vez a De Salto Alto (Tacones lejanos, 1991), de Pedro Almodóvar, que a A&E Mundo exibe ás 22:00.
Dia 13
Duelo de franceses na noite de domingo. Às 20:25, a TV5 nos dá o ar da graça exibindo um filme pelo qual realmente esperamos, e exibe Rendez-vous (1985), de André Techiné, estrelado por Lambert Wilson e Juliette Binoche. Já no Telecine Cult, o compromisso semanal com François Truffaut chega ao fim e às 22:00 passa A Noiva Estava de Preto (La Mariée était en noir, 1968), que, se não é exatamente um filme memorável do diretor de Jules e Jim – ainda mais se lembrarmos que 1968 é o mesmo ano do, esse sim, memorável Beijos Proibidos –, é ao menos um dos mais raros e obscuros filmes de Truffaut. Baseado num livro de Cornell Woolrich e protagonizado por Jeanne Moreau, o filme tem lá seus méritos, mas pertence à parte de baixo na hierarquia dos filmes do diretor. Em seguida, como uma espécie de bônus, passa à meia-noite o episódio de O Amor aos 20 Anos que Truffaut dirigiu e que constitiu a segunda parte da pentalogia de Antoine Doinel. O nome é Antoine e Colette, é bom que se diga, uma vez que o canal parece designá-lo unicamente pelo nome do longa, e isso engana tanto aqueles que querem ver Antoine e Colette quanto aqueles que esperam ter uma chance de ver o filme completo, uma vez que diretores importantes como Andrzej Wajda e Marcel Ophüls também fizeram seus episódios.
Dia 14 a 20
A coluna não foi publicada
Dia 21
Inicialmente, pedimos desculpas àqueles que acompanham semanalmente esta colun e e que se sentiram órfãos pela ausência de recomendações na semana passada. Mas sem maiores delongas passemos às recomendações da semana que, se não estão exatamente apetitosas no quesito raridade, pelo menos trazem algumas opções bem interessantes de travar ou retravar contato com filmes decisivos. A começar por esta segunda-feira cheia que passa quase ao mesmo tempo três filmes distintivos no cinema americano dos últimos dez anos: Três É Demais de Wes Anderson (Rushmore, 1998) às 21:30 no Cinemax Prime, Vivendo no Limite de Martin Scorsese (Bringing Out the Dead, 1999) às 19:30 no Cinemax e Sobre Meninos e Lobos de Clint Eastwood (Mystic River, 2003) às 22:00, também no Cinemax. Três filmes que negociam sua condição de espetáculo de gênero com uma certa necessidade de intransigência artística, traçando não apenas uma lógica temática, mas acima de tudo criando liberdades de narrativa e encenação que fazem com que esses filmes tenham sensibilidades únicas e todas próprias. É nessa difícil negociação entre produto e sensibilidade que reside aquilo que chamamos de autor – a impressão na película de uma personalidade definível, de um estilo singular, de uma disposição particular em relação ao mundo – e que algumas pessoas parecem ter tanta dificuldade de entender (talvez porque estão tentando apenas acompanhar a história e não percebem o trabalho da câmera, a instalação do ponto-de-vista, etc.). Discussões à parte, são três belos filmes que vão constar na memória cinematográfica do período. Passando do cinema recente ao cinema já muito bem instalado na história, o Telecine Cult estréia em sua programação Rio Grande (idem, 1950), western de John Ford num período particularmente rico de sua filmografia (Sangue de Heróis, Legião Invencível imediatamente antes, Caravana de Bravos imediatamente depois). Ford já foi defendido como o homem que levou um gênero à sua perfeição. Hoje, nu outro momento do cinema que é também um outro momento da crítica, ele é defendido por aquilo que conseguimos perceber em suplemento ao que o gênero diz. Bom, acontece que ele é genial em ambas as aproximações. O filme passa às 22:00.
Dia 22
Várias estréias dignas na semana, e acabaram deixando dois filmes novos de alguma importância estreando no mesmo momento. A Menina Santa (La niña santa, 2004) de Lucrecia Martel foi muito elogiado em toda parte, mesmo aqui, em Contracampo, onde ocupou garbosamente o sexto lugar como melhor filme exibido no país em 2005. O filme chegou até a ser considerado um passo à frente da estréia em longa, O Pântano (qunto melhor de 2004), mas, tomada a devida distância, podemos tecer algumas restrições ao filme, à forma como toma emprestado com facilidade demais um certo clima bressoniano de perda do sagrado, e sobretudo na maneira como termina o filme de forma meio fácil, acenando com um clímax desnecessário (o que é um problema) e terminando o filme antes que ele aconteça (o que é menos problemático). Com Zatoichi (2003), filme menos celebrado de Takeshi Kitano, também há problemas: falta coesão, fata um espírito forte que ordene aquilo que vemos, e embora o filme tenha diversos momentos inventivos, como um todo ele deixa um pouquinho a desejar – muito longe da mestria e da contundência de filmes como Boiling Point, Sonatine ou da obra-prima Hana-Bi. Ainda assim, bem bom de se ver. Lucrecia Martel estréia no Telecine Cult, Kitano no Cinemax. Ambos às 22:00. Já na tradicional É Tudo Verdade, passarão também alguns filmes já batidos, mas ótimos e essenciais. Aproveitando a onda de filmes em curta-metragem que a sessão anda exibindo, dessa vez teremos um programa dedicado à produção gaúcha: passarão Ilha das Flores (1989) e Esta Não É a Sua Vida (1991), ambos de Jorge Furtado, e Memória (1990), de Roberto Henkin. Curiosamente, um filme muito mais raro e pouco visto de Furtado, Veja Bem (1994), passa no mesmo Canal Brasil, em outro horário, 00:40 da madrugada de terça para quarta-feira. Na verdade, é quase logo depois...
Dia 23
Nova quarta-feira sem estréias ou exibições mais significativas. Mas para evitar o discurso de disco quebrado, chamemos a atenção para As Feras (1995), filme de Walter Hugo Khouri que passou por um longo processo de brigas sobre o controle dos direitos de exibição e só foi entrar em cartaz mais de cinco anos depois. O filme tem as típicas preocupações da obra de WHK, o ar forçadamente intelectual, as intrigas vagabundas revestidas de aparente sofisticação, as mulheres lindas posando para a câmera. Ele já teve produções mais bem cuidadas e acabamento melhor, mas a dificuldade em ver o filme acaba compensando o destaque que damos aqui a esse filme que é, no máximo, curioso. Passa no Canal Brasil às 21:30. Antes disso, um filme interessante é Urgh! A Music War (dir. Derek Burbidge, 1981), que passa no Cinemax Prime às 19:30. Trata-se de um documentário sobre a cena musical alternativa do período, entre pós-punk e new-wave, e contém mais significativamente o registro de shows dessas bandas, um atrás do outro. Nada de relevância especificamente cinematográfica aqui, mas resta um interesse pronunciado para quem gosta de certos dos grupos (Gang of Four, Cramps, Devo, The Police, UB40, Pretenders, XTC) e sobretudo um interesse como documento, porque é impressionante como, vendo essas bandas uma depois da outra, percebemos como cada uma – independente da qualidade ou falta de qualidade dos grupos – tinha uma identidade cênica muito forte e direta, e a imagem no palco interagia de forma impressionante com a música. E isso é algo muito distante do final dos anos 80-começo dos 90, em que uma banda alternativa precisava mostrar uma autenticidade, uma luta contra a pose (respondendo, provavelmente, à superexposição e à elevação do artista como estrela mundial), e a postura pouco visual no palco era para chamar a atenção para a própria música. Essas mudanças são mesmo muito curiosas de se notar.
Dia 24
Mais Kieslowski nessa quinta-feira. Dessa vez, é o filme que tornou ele mais conhecido e abriu caminho para aqueles que viriam em seguida: Não Amarás (Krótki film o milosci, 1988), um dos dois filmes da série Decálogo que viraram longa-metragem (o outro é Não Matarás). Seco, direto, complexo sem ser piegas, o filme espanta pela incrível precisão como filma, muito atento aos sentimentos e impasses humanos, e consegue não cair na armadilha frouxa de uma compaixão fácil demais (armadilha em que ele cairia ao deixar o país natal). O filme passa às 22:00. Outras atrações bastante interessantes são Dia de Festa (1978), esquecido filme de Paulo Porto que será exibido na sessão Brasil Cult do Canal Brasil, sempre às 22:35, e Ouro Nazista na Argentina (Oro nazi en Argentina, 2004), documentário de Rolo Pereyra sobre a participação da Argentina, e especialmente de Peron, nas negociações com a Alemanha nazista e o posterior transporte de grandes fortunas e de altos membros do partido nazista, com Menguele, para o país. No rolo até o Vaticano aparece exercendo papéis. Como trabalho de investigação e como interesse histórico, vale a menção. Estréia no Cinemax às 22:00.
Dia 25
Está aí
. Para quem esperava filmes mais difíceis, essa sexta-feira é o dia. Tudo bem que não é com filmes altamente esperados, mas, em se tratando do estado de nossa programação de filmes na tv a cabo, não podemos ser muito exigentes. Primeiro, às 18:15, passa na TV5 Jaula Amorosa (Les Félins), de René Clément, que conta com Alain Delon e Jane Fonda como protagonistas. Junto com Verneuil, que o canal estava exibindo nas semanas anteriores, Clément foi uma espécie de continuação do antigo sistema de "qualidade francesa" adaptado aos gêneros mais na moda, com o ideário de fazer um cinema distanciado e a trabalhar a linguagem do cinema como uma espécie de normas a preceitos aos quais se deve obedecer. Naturalmente, Clément foi o oposto da nouvelle vague, e, ainda que acertadamente tenham sido estes últimos aqueles que ficaram para a posteridade, o cinema do realizador de O Sol por Testemunha, apesar de toda a pompa, não é despido de interesse. Em seguida, o Telecine Cult reestréia Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981) em sua programação. Dirigido por Frank Perry, um diretor que em seus começos ganhou prêmio em Veneza e foi indicado ao Oscar por David and Lisa, e que depois viria a ser lembrado por ter sido o diretor do "pior filme da década de 80" segundo a Framboesa de Ouro. O tal pior filme é justamente Mamãezinha Querida, protagonizado por Faye Dunaway, que evoca em modo camp o suposto comportamento da atriz Joan Crawford com sua filha (o filme é feito a partir do livro autobiográfico de Christina Crawford). Os acadêmicos da Framboesa não entraram no jogo e arrasaram o filme. Mas já que eles também arrasaram o belo Showgirls, isso não acabaria sendo um elogio? O filme passa às 22:00.
Dia 26
Dois filmes considerados entre o mainstream e o cult – na verdade, são ambos mainstream até a medula – que receberam inúmeros elogios ano passado: Crash – No Limite (2005), de Paul Haggis, e Batman Begins (2005), de Christopher Nolan. O primeiro passa às 22:00 no Telecine Premium e o segundo, às 21:00, na HBO. O filme de Nolan é recheado de coisas para deslumbrar o espectador que faz o gênero exigente-mas-nem-tanto, mas pelo menos é inócuo. Já Crash, sabe-se lá como, conseguiu até ganhar Oscar de melhor filme, apresentando um dos roteiros mais engana-otário de que já se teve notícia. Quem conseguiu equacionar isso da melhor forma foi Jean-Marc Lalanne, que já foi redator-chefe dos Cahiers du Cinéma e hoje está na Les Inrockuptibles (cuja cobertura de Cannes recente foi melhor do que a da CdC). Eis a prova: "De Crash de Paul Haggis a Babel de Iñárritu, uma mesma fascinação de mau roteirista pelo acaso, as trajetórias que se cruzam, os efeitos-borboleta. O planeta inteiro torna-se o cenário de uma grande sitcom globalizada, em que o destino ataca cegamente. Cada um paga um preço alto pelo erro que não cometeu, ou então um preço sem relação com a gravidade da sanção. A comiseração por todos os males do mundo (os suicídios e os acidentes dos ricos, a repressão e a injustiça que acontecem com os pobres...) dá lugar a um canto esganiçado filmado como uma propaganda de seguros.". Está dito. Se não dá pra confiar sua noite de sábado a nenhum dos dois, o que fazer? Ver As Luzes de um Verão, do vietnamita Tran Anh Hung, que o Telecine Cult exibe à meia-noite de sábado para domingo? Bem, apesar de tocar duas das mais belas músicas já feitas em todos os tempos, "Coney Island Baby" e "Pale Blue Eyes", ambas de Lou Reed, o filme tem um clima contemplativo-exótico que dá uma certa enchida de saco, por confiar muito confortavelmente no registro de um cinema-de-autor tornado auto-suficiente e acadêmico. O leitor fica melhor acompanhado se arriscando com Intriga Mortal (Poodle Springs, 1998), filme de Bob Rafelson feito diretamente para a televisão. Além das credenciais de Rafelson, autor dos seminais Five Easy Pieces e O Dia dos Loucos, temos Tom Stoppard no roteiro e Raymond Chandler no material original. É verdade que a produção de Rafelson nõ manteve o mesmo nível de excelência da década de 70 para cá, mas ainda assim ele é um cineasta que se merece acompanhar e ver o que puder. Passa no Cinemax Prime às 20:00.
Dia 27
É domingo. Saudades de Truffaut? Pois o Telecine Cult não fez nada para colocar alguma coisa mais significativa no lugar. Claro, Má Educação está longe de ser algo dispensável, mas o filme está aí, já estreou no cabo, tem em dvd, passou há pouco no cinema, etc. Mas se o TCC não nos oferece nenhuma alternativa, podemos ficar tranqüilos porque o Telecine Action exibe um dos filmes mais deliciosos e delirantes da década de 90: Fuga de Los Angeles (Escape from L.A., 1996), com Kurt Russell e seu Snake Plissken passeando por uma Los Angeles tornada ilha-prisão-lixão tentando reaver uma maquininha que pode alterar definitivamente o destino do mundo e definir quem detém o poder sobre ele. Digamos que a resolução do filme é totalmente pró alter-globalização. E que é um dos finais de filme mais apocalípticos da história do cinema, comparável a Videodrome e Week-End. Mas pra quem quiser ele também pode ser apenas um bom filme de ação e um passatempo para o final do fim-de-semana. O filme estréia na programação do TCA às 22:00.
Dia 28
Jim McBride talvez seja mais conhecido por ter feito a adaptação americana de Acossado, o primeiro longa-metragem de Jean-Luc Godard. As reações a esse filmes são muito engraçadas, porque no mais das vezes é gente que habitualmente não dá a mínima para os aspectos artísticos do cinema e de repente começam a tratar o filme de McBride como uma espécie de heresia à verdadeira arte (curiosamente, essas mesmas pessoas nem fazem idéia, ou malham violentamente, o cinema que Godard fazia na mesma época). Pois bem, A Força de um Amor é um belo filme – e Godard também acha –, assim como A Fera do Rock (Great Balls of Fire, 1989), cinebiografia de Jerry Lee Lewis. Entre os dois, Jim McBride realizou Acerto de Contas (The Big Easy, 1987), que o Telecine Action estréia em sua programação às 13:40 desta segunda. Juntos, são filmes que trabalham a idéia do casal em movimento, e McBride consegue sempre imprimir um quê de vertigem e liberdade do velho tema do "amor louco" que o tornam distintivo, seja nas produções independentes do começo de sua carreira, seja nos filmes hollywoodianos que viria a fazer posteriormente. Mais à noite, o Cinemax estréia Eterno Amor (Un long dimanche de fiançailles, 2004), filme de Jean-Pierre Jeunet que deu prosseguimento a sua carreira depois do grande sucesso de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Sabe-se das deficiências gritantes de Jeunet, um homem que confunde desde o começo de sua carreira perfeccionismo na direção de arte com verdadeiro estilo. O escriba não assistiu a seu filme mais recente, mas os comentários são de que Eterno Amor até tem seu interesse. Passa às 22:00.
Dia 29
Mais um filme importante estreando na programação do Telecine Action, e num horário bizarro. Dessa vez é O Casal Osterman (The Osterman Weekend, 1983), último longa-metragem de Sam Peckinpah, que passa às 14:00. O filme geralmente não aparece entre os preferidos dos maiores admiradores do cineasta, mas Peckinpah é um desses cineastas para se ver tudo o que puder... Mais à noite, o Film&Arts exibe Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964), em que Stanley Kubrick explora mais uma vez seu tema preferido: a estupidez da racionalidade humana, uma racionalidade que é transformada em seu oposto pelo excesso de lógica e procedimento. Daí a visão clínica, asséptica e distanciada de seu cinema, que nesse filme é aplicada à questão da Guerra Fria e da paranóia de uma hecatombe nuclear derivada da intolerância e competição das nações. O resultado à época foi um choque que não poderia ser medido hoje, quando o mundo não vive mais a tensão bipolar entre americanos e soviéticos, mas a contundência do filme permanece toda lá. Mas as verdadeiras raridadas do dia estão na rigorosa seleção de curtas-metragens de Ivan Cardoso que compõem a sessão É Tudo Verdade às 23:30: Moreira da Silva (1973), Dr. Dyonélio (1978), HO (1979) e À Meia-Noite com Glauber (1997). Todos eles estão entre as melhores coisas que ele já fez, e é uma pena que esses filmes não tenham tido a projeção que outros filmes divertidos, mas não tão interessantes, quanto As Sete Vampiras ou Os Bons Tempos Voltaram... tiveram. Há autores que se realizam mais integralmente no long-metragem, mas há aqueles, como Ivan Cardoso, Jorge Furtado e Arthur Omar, que são muito mais completos nos filmes de curta-metragem. Para finalizar o dia, uma excelente iniciativa: Simone Zuccolotto entrevista figuras da pornochanchada numa nova série do Canal Brasil chamada "Foi bom pra você, benzinho?" que passa à 01:00 da madrugada de terça para quarta-feira. Quer saber? Tomara que seja ótimo.
Dia 30
Um mundo separa A Vila (The Village, 2004), dirigido por M. Night Shyamalan, de Crash – No Limite (Crash, 2005), dirigido por Paul Haggis. O primeiro é erroneamente visto como apenas um filme de gênero e o segundo é visto como um filme importante, que aborda questões políticas agudas da sociedade americana. O primeiro foi ridicularizado por grande parte da imprensa e do público, ao passo que Crash ganhou o Oscar. O primeiro é um dos melhores filmes americanos da década, e o segundo um dos piores. E a seriedade dos filmes é inversa à pompa de questionamento: Shyamalan cria a partir de um veículo de gênero um grande questionamento sobre as raízes da violência e sobre a utopia do isolamento que tornaria todos inocentes (com apoio, claro, das mentiras úteis de monstros de mentira) ao passo que Haggis se utiliza de uma série de questões sociais americanas para criar um painel espetaculoso, repleto de golpes de roteiro vagabundos vendidos como audaciosos, e acima de tudo um jogo de manipulações emocionais que destrói qualquer possibilidade de questionamento sério. Enquanto esperamos por A Dama no Lago, a HBO passa A Vila às 18:30 (ou na HBO2 às 23:30), enquanto Crash passa no Telecine Pipoca (!), ou seja, dublado, às 19:55. Para algo mais inacessível, a curiosidade pode ser Todos Sâo Criminosos (Pour le plaisir, 2004), filme do diretor belga Dominique Deruddere, mais conhecido pela baboseira que é Fama para Todos. Esse filme não parece mais interessante, mas em todo caso é sempre louvável e digno de nota quando um canal de tv a cabo exibe um filme de acesso mais difícil, que não tenha sido exibido em festivais, entrado em cartaz ou seja americano (uma vez que a procedência ianque por si só parece ser um crédito de exibição). Assim, parabéns para o Telecine Emotion, que passa o filme à 00:20 de quarta para quinta-feira. E já que estamos nessa, quem sabe não seja legal a turma do Telecine dar uma olhada nas obras de gente como Hong Sang-Soo, Jia Zhangke e Apichatpong Weerasethakul? Certamente criariam um outro interesse no panorama de filmes exibidos na tv a cabo.
Dia 31
Novamente teremos Krzysztof Kieslowski na quinta-feira do Telecine Cult, dessa vez com A Dupla Vida de Véronique (La Double Vie de Véronique, 1991), filme que faz a transição de KK da Polônia para a França, e instala esse regime de dupla identidade na trama de duas mulheres, ou uma, que vivem em lugares diferentes, naturalmente a Polônia e a França, e vivem vidas paralelas. O filme passa às 22:00. Já no Eurochannel, como toda última quinta do mês, teremos mais uma Noite Nostalgia. Como o leque do canal é sempre mínimo, eles dedicarão essa sessão mensal pela enésima vez a Michelangelo Antonioni. Não que ele não mereça, mas essa repetição dos mesmos três ou quatro nomes pega muito mal para o canal, e prova aquilo que há muito, desde 2001, já pressentíamos: de filmes o canal anda muito mal das pernas. Abri-las demais dá nisso. Em todo caso, quem não há de recomendar um programa que começa com um documentário sobre o diretor às 22:00, passa para As Amigas (Le amiche, 1955) às 23:00 e culmina com O Dilema de uma Vida/Deserto Vermelho (Il deserto rosso, 1964) à 01:00? Tudo bom, é ótimo, mas custava correr atrás de outros filmes? O documentário que Antonioni fez sobre a China é raríssimo e seria uma excelente opção, Ou Zabriskie Point, que não passa na tv há muito, mas muito tempo mesmo.
Dia 01/9
Não estamos acostumados a ver recomendações de filmes passando no canal FX, correto? Também, era de se esperar. O canal entrou cheio de pompa, querendo se vender em pacote separado, com preço separado, oferecendo programação diretamente destinada ao público masculino. A estratégia falhou e hoje é apenas mais um canal na programação das redes que oferecem esse tipo de serviço
. Mas volta e meia aparece alguma coisa interessante e digna de ressaltar. Dessa vez, é Heroes Among Heroes (Su qi er, 1993), filme de Hong Kong dirigido por Yuen Woo-ping e estrelado por Donnie Yen. Tanto um quanto outro só ficariam famosos no ocidente nesta década, Yuen por ter sido o coreógrafo de ação da trilogia Matrix e de Kill Bill, entre outros, e Yen por ter participado de alguns filmes americanos, como Bater ou Correr em Londres e Blade II, e de alguns filmes orientais que tiveram maior repercussão, como Herói. O filme passa às 20:00.
Dia 02
Depois das bombásticas estréias de dois filmes de grande interesse por parte do público na semana passada, essa vem com uma pompa sensivelmente menor. O mais famoso é O Chamado 2 (Ring Two, 2005), continuação de Hideo Nakata para o remake americano de Gore Verbinski. Quem esperava algo mais interessante em relação ao primeiro se frustrou, uma vez que o diretor do original japonês não mostrou nem mais desinvoltura, nem mais criatividade ou liberdade em relação ao material tratado, e o convencionalismo se uniu inclusive a uma patente falta de jeito. Em todo caso, quem quiser conferir, nem que seja para matar as saudades da bela Naomi Watts, pode conferir no Telecine Premium às 22:00. Uma hora antes, a HBO exibe Golpe Baixo (The Longest Yard, 2005), em que Adam Sandler desempenha o papel que era de Burt Reynolds na versão original de 1974, dirigida por Robert Aldrich. O encarregado da direção é Peter Segal, que pelo jeito já se tornou o fiel companheiro de Sandler, já que este é o terceiro longa seguido em que dirige o comediante. Os anteriores, Tratamento de Choque e Como Se Fosse a Primeira Vez, são bem recomendáveis (o segundo mais que o primeiro). Já no Canal Brasil teremos Espelho d'Água – Uma Viagem no Rio São Francisco (2004), filme dirigido por Marcos Vinícius Cezar que teve uma passagem meteórica pelo circuito comercial. O título do filme, deve-se dizer, não é daqueles que pode atrair hordas ao cinema. Tampouco o material de divulgação. E quem viu o filme teve a certeza de que não se tratava de nenhuma pérola a ser descoberta e valorizada. Em todo caso, para quem quiser tirar a prova ou simplesmente tiver interesse em ver o filme, é só ligar no Canal Brasil às 23:30.
Dia 03
Domingo, A Dama na Água já terá estreado e, se as suspeitas se confirmarem, o filme vai frustrar o público da mesma forma que Sinais e A Vila antes dele (alguns apontam que frustrará ainda mais). Ao mesmo tempo, M. Night Shyamalan já consolidou em poucos longas-metragens uma carreira singular e um rigoroso círculo de admiradores, seja pela precisão de linguagem, seja pela audácia em relação aos padrões mais convencionais de organização visual e narrativa no cinema. Em Sinais, ele se apropria de um subgênero célebre da ficção científica, os filmes de invasão extra-terrestre, para se questionar sobre algo que não vende muitos ingressos: a fé. Não exatamente qual fé, mas simplesmente a fé. Veremos se A Dama na Água cria uma operação semelhante. Sinais passa no Film&Arts às 19:00. Já às 20:30, a TV5 exibe um filme de Georges Lautner, Tira ou Ladrão (Flic ou voyou, 1978), cujo maior interesse é mesmo matar saudades de Jean-Paul Belmondo, uma vez que Lautner é um desses realizadores de filmes conerciais franceses que nunca ninguém chamou atenção especialmente, seja no quesito inventividade, seja no mero bom artesanato. Já no Canal Brasil, na madrugada de domingo pra segunda-feira, às 02:35, passa Os Marginais (1969), raríssimo filme em dois episódios de Carlos Alberto Prates Correia e Moisés Kendler. No de CAPC, "Guilherme", temos um repeteco dos protagonistas de O Padre e a Moça, Paulo José e Helena Ignez, enquanto no filme de Kendler temos Grande Otelo e Cartola. Mais recomendação que isso, impossível.
Dia 04
No mesmo ano que Robert Rodriguez lançou em Cannes o bombástico Sin City, ele fez também o pouquíssimo comentado As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D (The Adventures of Sharkboy and Lavagirl 3-D, 2005), mais um de seus projetos caseiros – caseiros mesmo, feitos na maior parte na casa do cineasta – para crianças, na seqüência dos três Spy Kids. RR tem uma visão bastante pessoal de cinema, e uma postura que o distingue muito claramente dos realizadores costumeiros. Seus melindres com o gênero são ainda mais radicais do que aqueles de Tarantino, e o alinhamento com as formas tidas como não-nobres é total, de forma que é impossível seguir a carreira de Rodriguez apenas vendo os filmes "importantes" com Sin City e Era uma Vez no México. Enquanto esperamos para ver o que sai de Grind House, projeto conjunto com Tarantino, podemos ver As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl em 3-D na HBO às 21:00. Enquanto isso, os admiradores de Claude Lelouch podem se rejubilar, porque um filme seu entra em cartaz no Telecine Cult. Trata-se de Outro Homem, Outra Mulher (Un autre homme, une autre chance, 1977), adaptação de seu filme mais famoso, Um Homem... Uma Mulher... para o velho oeste. OK, pra começar se trata de Claude Lelouch, e em segundo lugar fazer remake em forma de western de seu próprio filme de sucesso nos EUA é uma idéia de gerico e um nível de picaretagem que ultrapassa a vagabundagem lelouchiana costumeira. Por isso mesmo, quem sabe seja interessante. Ademais, é um filme indisponível em qualquer outra mídia no Brasil. 22:00. Não faz do filme uma atração imperdível, mas mesmo assim...
Dia 05
Os curtas de Ivan Cardoso Parte 2 – A Missão. Os documentários e ensaísticos passam na sessão É Tudo Verdade do Canal Brasil, e os outros na programação normal. Às 23:35, poderemos ver o raro Museu Goeldi (1974), o excelente O Universo de Mojica Marins (1978), além dos mais recentes (e menos interessantes) Hi-Fi (1999) e Heliorama (2004), espécie de duas releituras interessantes sobre a vanguarda brasileira dos anos 60, mas redundantes em relação ao que o próprio Ivan Cardoso já tinha feito antes. Em seguida, à 01:45, passa Sexo, Drogas e Rock'n'roll (1999), dentre os curtas de Cardoso certamente o que menos circulou. Entre os cinco filmes de IC, o mesmo canal exibe o segundo episódio de "Foi bom pra você, benzinho?", programa de reportagens de Simone Zuccoloto sobre os filmes e os atores da pornochanchada. Dessa vez, Matilde Mastrangi e Helena Ramos são entrevistadas. Bela idéia. À 01:00 da manhã de terça pra quarta.
Dia 06
A aridez de ofertas que sempre ronda as quartas-feiras permaneceria, se não fosse a oportuna reprise que o Canal Brasil faz num horário aceitável, o de 23:35, do único longa-metragem de ficção de um de nossos mais valorosos diretores de fotografia do cinema brasileiro (e também pintor), Mário Carneiro. Trata-se de Gordos e Magros (1976), uma comédia que nunca teve a devida atenção, talvez exatamente por vir de uma turma – a do cinema novo – de quem não se esperava um filme do gênero. E é um bocado triste ver que um bom filme como este, mesmo passando algumas vezes na tv a cabo não tenha sequer cinco votos no IMDb ou comentários de leitores nos sites brasileiros. Acontece...
Dia 07
Mais um mês, mais quatro vezes que Krzysztof Kieslowski domina as 22:00 das quintas-feiras no Telecine Cult. Dessa vez, é com A Liberdade É Azul (Trois couleurs: Bleu, 1993), filme que marcou sua época e virou um fenômeno do cinema cult de uma forma muito semelhante do Wim Wenders pós-Paris Texas. Entre Kieslowski e Wenders, uma trajetória semelhante: um cinema ligeiramente afrouxado, um humanismo que era seco e se torna sentimental/piegas, os "grandes temas" da incomunicabilidade e da liberdade no mundo contemporâneo, o sentido de viver, tudo isso ilustrado com imagens de uma beleza ostentatória meio vazia. Tem quem goste. Como tem quem goste também de Diários de Motocicleta, produção multinacional (mas o Brasil não entra no rachuncho) de Walter Salles sobre a juventude de Ernesto "Che" Guevara antes de aderir à militância política. Cinema oficial, genérico, sem uma sensibilidade particular, e com uma série de problemas tanto do ponto de vista dramático quanto do ponto de vista do sentido político/existencial que cria, Diários... (2004) é o típico produto feito para satisfazer a má vontade do público rico e chique que ostenta os valores humanistas de esquerda mais porque pega bem do que por uma verdadeira crença. Assim, o destaque do dia é mesmo O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças, 1970), filme de Glauber Rocha filmado no Congo com Jean-Pierre Léaud, Hugo Carvana e atores italianos, alemães, brasileiros e africanos. Junto com Cabezas cortadas e Claro, faz parte dos longas-metragens que Glauber Rocha filmou fora do Brasil e que são dificílimos de se ver, e que no entanto representam passos decisivos na passagem dos filmes dos anos 60 até chegar em A Idade da Terra. Curiosamente, a maior parte dos teóricos que se debruçam sobre os filmes do cineastas só parece se interessar pelo que foi feito nos anos 60. Der Leone... passa no Canal Brasil às 23:40.
Dia 08
Mais uma vez o destaque da sexta-feira cabe ao FX, que depois de nos oferecer um raro filme de Hong Kong, agora nos oferece um raro (aqui) filme coreano, Poderosa Chefona (Jopog manura/My Wife Is a Gangster, 2001)
, grande sucesso nacional que em 2003 rendeu uma continuação e que terá uma terceira parte lançada na Coréia do Sul ainda esse ano. Como boa parte da produção mais comercial coreana, o filme mescla com eficiência diversos gêneros (comédia, filme de máfia, ação de artes marciais) e tem produção que nada deixa a dever em relação aos production values americanos. Aliás, recentemente é mais interessante ver filmes anônimos – aquele em que o diretor desempenha um papel meio genérico, sem sensibilidade particular – vindo da Coréia ou de Hong Kong do que os americanos, cada vez mais reiterativos e banais. O filme passa às 20:00. Quase no mesmo horário, às 20:15, o Telecine Cult coloca em sua programação um dos clássicos de Woody Allen, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977), filme que faz a passagem do cinema de Allen de um registro mais escrachado à irmãos Marx para a comédia sofisticada, no limite tendendo pra o drama existencialista. O filme rendeu a Woody Allen tudo que poderia, e começou a estabelecer o papel do cineasta como uma das figuras centrais do cinema de autor dos anos 80 (pricipalmente) e dos anos 90. Mas a importância da obra de WA, vista em retrospecto, é muito menor do que gostariam seus fãs mais aguerridos, com uma tendência à verborragia e a uma auto-complacência fashionable que em muitos momentos torna o estilo insuportável. Mas alguns filmes conseguem se safar, e Annie Hall é um desses.
Dia 09
Vamos combinar: tanto HBO quanto Telecine Premium estão de sacanagem ao programar em suas sessões mais esperadas filmes como, respectivamente, Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks, 2004, dir. Joe Roth, com Jamie Lee Curtis e Dan Aykroyd) e Coach Carter – Treino para a Vida (Coach Carter, 2005, dir. Thomas Carter, com Samuel L. Jackson), um filme que até poderia ser interessante se lançado próximo do Natal e outro que era no máximo para um lançamento de terça-feira à tarde. Bom, na verdade, se fossem, nós nem comentaríamos aqui. Então, pano rápido, passemos para o único verdadeiro destaque do dia, que é o belíssimo Carne Trêmula (Carne trémula, 1997), um dos melhores filmes de Almodóvar, senão o melhor. Se, comparando com a trajetória de Woody Allen, a mudança de registro vem com o anterior A Flor do Meu Segredo, Carne Trêmula é aquele que consegue resolver à perfeição os desafios trazidos com a nova fase de sua carreira. O filme estréia na programação do Telecine Cult às 22:00.
Dia 10
Phil Karlson dirigindo Elvis Presley? James Gray dirigindo Mark Wahlberg, Joaquin Phoenix e Charlize Theron? Os registros são inteiramente diferentes, sabemos: Karlson é um diretor que teve poucas oportunidades para mostrar um estilo singular fora dos filmes de gênero mais rotineiros que dirigia com habilidade mas sem maior distinção. Talhado para Campeão (Kid Galahad, 1962) é acima de tudo um veículo para Elvis Presley, e o filme não consegue superar as dificuldades geradas pelo esquematismo dos filmes desse tipo de fatura. Já Caminho Sem Volta (The Yards, 2000) faz parte do tipo de diretor que inevitavelmente marca os filmes que faz com uma singularidade impossível de não notar, e que acaba fazendo do diretor uma espécie de pária dentro da indústria quando os filmes não conseguem números expressivos. De fato, Caminho Sem Volta é apenas o segundo longa-metragem de Gray, e o terceiro só deve vir em 2007 (também protagonizado por Wahlberg e Phoenix, que se juntam a Robert Duvall e Eva Mendes). Até agora, Gray só tem dois filmes, mas o estilo e a densidade dos filmes já fazem o diretor figurar numa seleta lista dos diretores jovens mais decisivos do cinema americano hoje. A conferir no Telecine Action às 22:00 (aliás, o filme fica deslocado no canal). Já o filme de Presley, que podia tranqüilamente estar no Action, passa no Telecine Cult – claramente porque é "filme velho" – às 15:50. Ambos são estréias.

Ruy Gardnier

 

 
A série Scrubs, atração da Sony, está em sua quinta temporada e recebe elogios da redação da revista.

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