G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA
Stephen Sommers, G.I. Joe: The Rise of Cobra, EUA, 2009

O enredo iniciático do mal, ponto de partida da franquia mais famosa de Stephen Sommers (A Múmia), é reencenado agora através de uma mitologia menor (se comparada às lendas do Egito antigo), a das tropas de elite secretas representadas pela coleção de brinquedos conhecida no Brasil como Comandos em Ação. Sommers encontra liberdade neste projeto para mergulhar mais fundo em seu mundo pós-orgânico, pós-mecânico, reino da infinita plasticidade e modulação. Nesse paraíso infantilóide feito de CGI, a carne analógica é trocada por um desfile de imagens que só retêm do corpo a figura. Nenhum personagem em G.I. Joe se fere ou se machuca: eles se desfiguram. Uns, discretamente (cicatriz no rosto de Duke/Channing Tatum); outros, radicalmente (rosto irreconhecível de Rex/Joseph Gordon-Levitt). A figura adquire independência em relação ao corpo, do qual o próprio movimento se desprende para realizar-se como puro delírio gráfico. O corpo não é mais suporte ou meio do movimento, mas seu depositário. A dramaturgia, em paralelo, se troca por um workshop de brinquedos e efeitos (dentre os quais a queda da Torre Eiffel é o único realmente bacana). O eventual prazer do espectador depende da maior ou menor adesão ao “jogo”.

Luiz Carlos Oliveira Jr.