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Em 64, Com Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha explodia uns 60% de informação nova no cinema nacional. Era o tempo da festiva. Isso fez com que o filme nascesse morto. Valeu como catarse dentro da apatia. Teria que vir Terra em Transe, em 67, para tentar analisar o fracasso. Aconteceu o pior: esse filme, ótimo como linguagem católica, mimetiza-se à situação que devia ser analisada. Inteligente, o cineasta baiano explicou o não equacionamento do problema na revista Positif. Outras entrevistas mostravam que ele ainda podia engrenar, pois parecia ter aprendido com seus próprios erros. A expectativa diante do Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro era total. Além de ser um filme realizado com recursos, dizia-se que Glauber tinha saído do caos: decepção, pois o homem está acadêmico. O grande público não vai ver nada disso. Deve ser este o filme mais popular do cineasta. O problema existe só para alguns críticos: aqueles que acompanham sua trajetória bem de perto. O Dragão tem uns 15% de inovação, taxa irrisória para quem se diz tão revolucionário. É chupado de Deus e o Diabo, e dos outros filmes, como se colorir fosse renovar. Há de bom o melhor tratamento recebido por Antonio das Mortes, um grande personagem do cinema nacional. Aliás, depois da vergonhosa carta que Glauber enviou a Biáfora, só resta chamá-lo de gusano. E seu filme é altamente recomendável ao público que antes não acreditava no cinema brasileiro. * * * Também em cartaz: Brasil Ano 2000, no Coral. Um filme de Walter Lima Júnior, revelação da simplicidade e talento com Menino de Engenho. Representa um salto em sua carreira, pois passou do lirismo para a gozação. Também colorido, mostra bem os avanços técnicos do cinema nacional, que consegue se desenvolver mesmo pressionado por todas hostilidades que aí estão. Walter Lima Jr. expõe o ridículo que reina num país tropical, aliás a cidade de Me Esqueci, única que restou da III Guerra. Não é questão de rótulo, mas este filme realmente está no nível da música do grupo baiano. Tanto na ambientação como no tratamento. As cores funcionam no sentido de recriar a tropicália. Há muita seriedade na abordagem gozativa. Nada descamba. O realizador é um simples, trabalhando na complexidade, provocando no espectador o riso em primeiro lugar. A denúncia é feita de forma agradável, inteligente, e o público leva para casa muita informação crítica a ser pensada em termos racionais. Ainda esta semana, está em cartaz outro filme nacional de alto nível: A Vida Provisória, de Maurício Gomes Leite. Jairo Ferreira |
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